Sul-mato-grossense é preso em operação que investiga morte de militar

Morador de Itaquiraí é apontado como apoiador da quadrilha de traficantes que atua no Rio Paraná, entre MS e PR

| HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS


Policiais federais observam motor de lancha apreendido durante operação nesta quarta, em Guaíra (Foto: Divulgação)

Dos cinco mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça Federal, apenas dois foram cumpridos nesta quarta-feira (20) na Operação Homem Anjo, deflagrada pela Polícia Federal contra envolvidos no tráfico transnacional de drogas e também na morte do militar do Exército Brasileiro Daniel Henrique Trarbach Engelman, 19, no dia 10 deste mês.

Um dos envolvidos foi preso em Itaquiraí (MS), a 410 km de Campo Grande. O sul-mato-grossense, que não teve o nome divulgado, foi apontado nas investigações como parte do apoio logístico da quadrilha que transporta maconha de barco pelo Rio Paraná. O outro foi preso em Guaíra (PR). Um terceiro brasileiro está foragido e os outros dois alvos são paraguaios e moram no país vizinho, fora do alcance da polícia brasileira.

Daniel caiu no rio por volta de 23h do dia 10 após a lancha em que ele e outros militares usavam para patrulhar o rio ser atingida pelo barco dos traficantes, carregado com uma tonelada de maconha. O soldado desapareceu nas águas do Paranazão. O corpo só foi encontrado cinco dias depois.

A região fica próxima à Salto Del Guairá, cidade paraguaia usada como base para traficantes de drogas e contrabandistas de cigarro paraguaio. Os chefes da chamada “máfia do cigarro', responsável em cooptar policiais sul-mato-grossenses, moram em Salto.

Um helicóptero da PF deu apoio às equipes de solo. Veja o vídeo com imagens da operação:

Ao Campo Grande News, o delegado da Polícia Federal em Guaíra, Julio Fujiki, disse que já esperavam não encontrar os dois paraguaios, pois eles moram em Salto Del Guairá. Um deles é apontado como o dono do carregamento de maconha transportado pelo comboio de quatro embarcações do qual fazia parte o barco que bateu na lancha dos militares. “É bandido com extensa ficha criminal, foragido da Justiça paraguaia por homicídio e da Justiça brasileira por tráfico de drogas', afirmou o delegado sobre o chefe da quadrilha.

Rede social – Segundo Julio Fujiki, os federais chegaram à quadrilha após apreender uma das embarcações da quadrilha na Ilha Grande – a maior das quatro ilhas que formam o Parque Nacional de Ilha Grande, localizado entre Mato Grosso do Sul e Paraná.

“A embarcação de fibra de vidro tinha um motor de 300 HPs novinho. Através desse motor, chegamos à pessoa que o comprou em Toledo [PR]. Colocaram vídeo nas redes sociais testando o motor com a lancha', explicou.

O homem que tinha comprado o motor foi o segundo preso na operação de hoje, localizado em Guaíra. O terceiro brasileiro com prisão decretada, mas não localizado pelos federais, é piloto das embarcações usadas pela quadrilha. O segundo paraguaio incluído nos mandados de prisão também é piloto de lancha. A PF ainda apura se eles pilotavam os outros barcos ou se algum deles estava na embarcação que bateu na lancha dos militares.

O delegado informou que o morador de Itaquiraí preso hoje é conhecido no submundo do crime. “Logo após o acidente ele deu apoio para esconder as lanchas envolvidas no acidente. Ele cuida da parte logística na região de Itaquiraí', explicou Julio Fujiki.

Segundo o policial, farto material probatório contra a quadrilha foi apreendido nos cinco mandados de busca e apreensão cumpridos hoje. Entre os materiais estão módulos para fabricação de barcos de fibra de vidro e motores.



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