Abastecido por propina da JBS, frigorífico repassou dinheiro à mãe, irmão e sobrinha de Reinaldo, diz PF

| O JACARé/EDIVALDO BITENCOURT


Roberto de Oliveira Silva Júnior, irmão do governador, teria recebido R$ 69,5 mil do Buriti (Foto: Arquivo)

O frigorífico Buriti Comércio de Carnes, abastecido pelo suposto esquema de propina da JBS, fez repasses para a mãe, ao irmão e à sobrinha do govenador Reinaldo Azambuja (PSDB). De acordo com a colunista Bela Megale, do jornal O Globo (veja aqui), os dados constam do inquérito concluído pela Polícia Federal, que indiciou o tucano pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Operação Vostok.

De acordo com a PF, o governador de Mato Grosso do Sul recebeu R$ 67,791 milhões em propinas da JBS. Durante a investigação, o delegado Leandro Alves Ribeiro identificou repasses feitos a familiares do tucano pelo frigorífico Buriti, que foi o principal emissor de notas fiscais falsas para legalizar a suposta propina, R$ 12,9 milhões.

De acordo com o inquérito da PF, o Buriti fez dois pagamentos de R$ 25 mil a Zulmira Azambuja, mãe do governador. Ela chegou a ser uma das 104 pessoas intimadas a prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal em setembro do ano passado, mas acabou sendo dispensada devido à idade.

O irmão do tucano, Roberto de Oliveira Silva Júnior, o Beto Azambuja, prestou depoimento na época e afirmou que era o administrador dos negócios. Ele afirmou que o pagamento feito à matriarca era referente à venda de gado para o frigorífico de Aquidauana. Silva recebeu depósito de R$ 69,5 mil e também disse que se tratava da venda de bois.

No entanto, conforme a colunista, a PF não ficou convencida da suposta dos negócios entre a família do governador e o frigorífico. A venda do gado só ocorreu três meses após os repasses.

A sobrinha de Reinaldo, Gabriela Azambuja, teria recebido R$ 25 mil do Buriti. A primeira versão apresentada à PF também foi de que se tratava da venda de gado. No entanto, ela mudou a história e disse que o dinheiro era referente a empréstimo. Contudo, os policiais federais voltaram a desconfiar da história, porque o empréstimo foi quitado um ano e um mês depois sem cobrança de juro nem correção monetária.

Ao ser questionado pela jornalista sobre os repasses à mãe, ao irmão e à sobrinha, Reinaldo negou irregularidade na transação entre o frigorífico e a família.

O Buriti chegou a ser alvo da Operação Vostok, deflagrada em 12 de setembro de 2018 com autorização do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Os donos foram intimados a prestar novo depoimento à PF em setembro do ano passado.

Outra história envolvendo a empresa causou teorias da conspiração. Em maio de 2017, dois após a homologação da delação premiada da JBS pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, o diretor do Buriti,  Eduardo Chramosta, 37 anos, morreu em trágico e misterioso acidente de carro na BR-262.

A caminho de Aquidauana, a caminhonete saiu da rodovia e capotou. O empresário morreu no local. Conforme o laudo do IMOL (Instituto Médico e Odontológico Legal), ele morreu em decorrência de asfixia mecânica e sem qualquer fratura pelo corpo. A Polícia Civil de Terenos concluiu a investigação sem ver crime no episódio.

Em nota enviada ontem, o governador reagiu com “indignação e estranheza' ao indiciamento pela Polícia Federal. Na opinião de Reinaldo, a PF não encontrou nenhuma prova do seu envolvimento com o suposto pagamento de propina em troca de incentivos fiscais pela JBS.



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