Campo Grande pode ganhar 1ª indústria de ovos orgânicos em pó do Brasil

Ideia é produzir ao ponto de dominar o comércio brasileiro e alcançar mercado internacional

| ALANA PORTELA / CAMPO GRANDE NEWS


O produtor Marcos Rezende dentro da granja Ovo Pocó, em Jaraguari. (Foto: Arquivo pessoal)

Pensando em expandir os negócios para o exterior, o produtor Marcos Rezende planeja instalar a primeira indústria de ovos orgânicos em pó do Brasil, aqui em Campo Grande. Aos 49 anos, ele quer que os ovos produzidos na granja Ovo Pocó, em Jaraguari, dominem o comércio nacional e alcancem os mercados internacionais.

“Hoje a minha produção de ovos caipiras orgânicos já atende a maior parte dos comércios de Campo Grande. Com a indústria, pretendo fornecer ovos orgânicos em pó para todas as regiões do Brasil e também quero alcançar o exterior', conta.

Desde 2017, Marcos vem estudando uma forma de trabalhar com ovos orgânicos em Mato Grosso do Sul. Começou se inscrevendo num programa de empreendedorismo rural oferecido pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), quando elaborou a estratégia do pontapé inicial.

“Desenvolvi o planejamento estratégico do que estamos operando hoje, que é a comercialização dos ovos caipiras orgânicos da granja Ovo Pocó, que fica 20 quilômetros de Campo Grande'.

Após cuidar da parte de estruturação da granja, com a construção de barracões e espaços físicos, Marcos fez o planejamento sair do papel. “Em novembro de 2018, comprei 1500 pintinhos e depois de quatro meses, iniciamos a comercialização dos ovos caipiras orgânicos', lembra.

Aos poucos, Marcos foi conquistando o mercado, mas a produção ainda era tímida. “Estava entendendo como era o negócio e como funcionava. Passei 2019 fazendo essa análise. Montei o Clube Orgânico de assinatura, onde as pessoas faziam as encomendas e a gente entregava na casa dela'.

 Já em junho do ano passado, o produtor resolveu dar mais um passo a frente e comprou mais cinco mil aves. A produção aumentou e apesar de ter conseguido fornecer ovos para vários mercados de Campo Grande, ele ainda sofre com o prazo de validade do produto.

“Hoje atendo grandes comércios da Capital, mas o desafio sempre foi em relação ao prazo do produto, pois a validade é 28 dias a partir da produção. É pouco tempo, depois disso os ovos podem estregar'.

Pensando no que poderia fazer para evitar prejuízos, o produtor recordou da época em que elaborou o planejamento da granja e lembrou que uma das fraquezas apontadas era o “shelf life', que é o prazo de validade.

“Se aumentar muito a produção, como é a intenção, e o mercado demorar para absorver, eu perco meu produto. Essa é uma fraqueza que já vinha estudando, pensando numa maneira de processar o ovo para aumentar a validade dele'.

Processo – Além do curto prazo de validade, outra situação também o fez pensar em melhorar o negócio é o processo de preparação. Isso porque, atualmente, antes dos ovos serem comercializados, passam pelo processo de limpeza, secagem, ovoscopia e embalagem.

“Durante a ovoscopia, a gente verifica se o ovo está inteiro. Se a casca tiver quebrada, já não vai. Tem ainda aqueles que a casca está deformada e por dentro continua normal, mas por questão de estética, também tiramos de linha', explica.

Com a seleção dos ovos, os que estão fora do padrão se tornam prejuízo no bolso do produtor. No entanto, com a indústria de ovos em pó, nada se perderá. “Se processar mais o alimento, posso usar até os ovos trincados. Além disso, ainda aumento a validade dele de 28 dias para um ano e meio'.

Desidratação - Para que os ovos possam virar pó é feito o processo de desidratação nos produtos, como explica o produtor. “A gente tira a água dele, mas mantém todas as propriedades', afirma. “A diferença é que, ao invés da pessoa quebrar um ovo para usar, ela vai pegar uma colher do pó e misturar com a água', completa.

O Marcos destaca também que a viscosidade do ovo em pé é a mesma do produto in natura. “É exatamente a mesma do ovo que tem a validade de 28 dias, o que possibilita a expansão do negócio. Por isso, surgiu a necessidade de montar a indústria'.

PRODES – Agora é focar no objetivo que além de contar com a colaboração do Senai, também tem o apoio da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Nesse momento, Marcos está desenvolvendo estratégias do novo negócio, que se chamará Ovox Brasil. “Estamos montando o planejamento de construção, desenvolvendo o projeto ambiental e energético', explica.

Após concluir essa parte, o projeto será enviado ao BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na tentativa de conseguir o financiamento para a instalação da indústria em Campo Grande.

Outra questão que está em análise é o espaço onde a Ovox Brasil vai ser implantada, já que o produtor ainda aguarda ganhar o terreno da prefeitura de Campo Grande, através do Prodes (Programa de Incentivos para Desenvolvimento Econômico e Social).

“Estamos esperando a aprovação da doação na Câmara Municipal. A área é de 5 mil metros quadrados, no Indubrasil, onde tem outras indústrias', conta Marcos.

Se conseguir a doação do espaço, o produtor terá o prazo de dois anos para instalar a indústria e iniciar as contratações de funcionários. “Contrapartida do Prodes é gerar emprego, o que vamos conseguir oferecer para cerca de 20 a 25 pessoas, no início', afirma.

Previsão – após aprovação do terreno e do financiamento pelo BNDS, a expectativa é de que a indústria de ovos orgânicos em pó comece a funcionar a partir de junho de 2023.

A princípio, as produções são para vendas em grande escala, mas nada impede de ter o produto em casa. “É mais voltado para comércios, mas a pessoa pode comprar para ter na residência já que permite mais praticidade, sem o ocupar tanto espaço. Você só não vai conseguir fritar o ovo, mas poderá fazer uma omelete', finaliza Marcos.



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