'Hora de encerrar a mais longa guerra dos EUA', diz Biden ao anunciar início da retirada de militares no Afeganistão

Presidente americano completará a retirada no 20º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001.


Presidente dos EUA, Joe Biden, faz pronunciamento nesta quarta (14) sobre retirada de militares americanos no Afeganistão — Foto: Andrew Harnik/Pool via Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, confirmou nesta quarta-feira (14) a intenção de retirar todos os militares americanos que estão no Afeganistão até 11 de setembro. Segundo o democrata, o retorno dos soldados começará em 1º de maio.

"Está na hora de encerrar a mais longa guerra dos EUA. É hora de os soldados americanos voltarem para casa", disse Biden em pronunciamento na Casa Branca.

Uma vez que os combates em solo afegão continuam e que tanto o governo do país asiático quanto o Talibã seguem se enfrentando enquanto não chegam a um cessar-fogo, os EUA consideram a Guerra do Afeganistão como a mais longa em que tiveram envolvimento.

O conflito começou no fim de 2001, após os ataques de 11 de Setembro que deixaram mais de 3 mil mortos em Nova York, Washington e na Pensilvânia. Com o envolvimento da milícia terrorista Talibã nos atentados, os EUA — sob o governo do republicano George W. Bush — iniciou uma ofensiva para tirar os extremistas, que, à época, controlavam o Afeganistão (leia mais adiante na reportagem).

"Eu sou o quarto presidente dos EUA a ter mandato com presença de tropas americanas no Afeganistão. Foram dois republicanos e dois democratas. Eu não vou passar essa responsabilidade a um quinto", reforçou Biden.

O anúncio de Biden confirma que os EUA só terminarão a retirada depois do prazo negociado pelo ex-presidente Donald Trump com o Talibã no ano passado: o republicano pretendia concluir a saída dos militares americanos até 1º de maio, e não a partir de 1º de maio. Isso foi acertado em um acordo assinado em 29 de fevereiro de 2020 que e previa a saída completa das tropas americanas em 14 meses.

O fim da guerra no Afeganistão era uma promessa de campanha de Trump, que não conseguiu se reeleger nas eleições presidenciais de 2020.

Guerra ao terror

Os EUA atacaram o Afeganistão e depois o Iraque após o atentado de 11 de setembro de 2001, quando terroristas derrubaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, atingiram o Pentágono com um avião e derrubaram uma aeronave na Pensilvânia.

As forças armadas dos EUA invadiram o Afeganistão em 7 de outubro, menos de um mês após o ataque terrorista.

Na época, o grupo radical islâmico Talibã era liderado por Mohammed Omar e controlava 90% do país, embora não fosse reconhecido como governo pela ONU.

O então presidente americano George W. Bush ordenou a invasão após o Talibã se recusar a entregar Osama bin Laden , arquiteto do atentado às Torres Gêmeas.

Morte de Bin Laden

Bin Laden foi morto apenas em 2011, em uma operação americana no Paquistão, já no governo do ex-presidente americano de Barack Obama.

Segundo a ONU, mais de 100 mil civis foram mortos ou feridos no conflito apenas na última década.

Desde o início da guerra, os EUA gastaram cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,7 trilhões) em despesas militares no Afeganistão.



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